
Infelizmente, e pelos piores motivos, vejo-me ultimamente mais conhecedor do submundo português, que é os cuidados médicos do nosso serviço nacional de saúde, mais conhecido como SNS.
Fiquei a saber que Portugal afinal tem um bom SNS, é verdade! Eu próprio também não queria acreditar, mas como as verdades são para se dizer, já me dizia a minha mãe ainda era eu um canuco, tenho-o de o afirmar. Digo isto porque descobri, que após uma pessoa ter um AVC, por exemplo, e após recuperar o possível no hospital, tem o direito de passar 3 meses num centro de cuidados continuados onde será vigiada, cuidada, virada varias vezes ao dia, e o mais importante, será estimulada no sentido de fazer o máximo de evolução possível. Sim, porque se essa mesma pessoa voltar logo para casa dos familiares, a evolução será nula, ou quase nula comparada com a que poderá acontecer nesses locais com pessoal competente e profissional. Quando soube disto pensei – Maravilha! Até que enfim que existe um serviço em condições! Isto sim, é um ponto positivo e uma bela medida!
Mas … Infelizmente há sempre um mas … Que neste caso não é só um, são vários.
- O serviço existe, mas não é informado nos locais que deveriam ser. O local de onde essa informação deveria sair, que é a unidade hospitalar onde a pessoa está internada, nem uma palavra. A informação chegou-nos através de uma médica amiga da família.
- No hospital a única coisa que lhes interessa é despachar as pessoas para casa! Por vontade de algumas das pessoas de lá, até a mandavam logo para casa, mesmo quando a informação médica dizia que nos próximos 10 dias não sairia de lá.
- Quando foram confrontados, com a vontade para que ela tenha o que de direito lhe assiste, que é os 3 meses nos cuidados continuados, a resposta foi - A informação que temos aqui é que a família quer que ela vá para casa – Como queriam que fosse outra coisa se nunca deram outra informação? Passaram o tempo todo a insinuar que ela teria de ir para casa. Até existiu uma enfermeira, que me apetece chamar de tudo menos de enfermeira, que disse – Têm de a levar porque isto não é nenhum lar – Sem ter qualquer respeito pelas pessoas a quem o diz, nem pela dor que causa nas pessoas a quem o diz! Como se tudo porque estão a passar não seja suficiente.
- A solução proposta, pela unidade hospitalar, foi que o único local com vaga seria em Bragança (a 300Km) ou talvez Vila real (a 150Km) e tem de decidir até ao dia seguinte de manhã. Ou melhor, por outras palavras foi, vocês podem ter o que pretendem, mas a kilometros daqui. Era mais fácil dizer logo, realmente têm direito, mas nós não queremos dar!
- Não descansam enquanto não a mandarem embora para casa, não importa se ela passa o tempo a fazer tensões de 18 a 20! O que lhes importa é que ela saía de lá, esteja em que condição estiver.
Por tudo isto, que me custa a engolir, que me custa a ver pessoas de quem amo sofrer com a situação. E já que a tecnologia nos permite este mundo global, decidi partilhar esta situação que de dia para dia me revolta mais. Mas o que mais me deixa curioso é o porque de não querem divulgar os direitos que as pessoas têm. Será que são eles que pagam, para não lhes interessar direccionar as pessoas para esses cuidados.
Posso concluir que, afinal existe bons cuidados médicos no SNS, só que não é para todos! É para quem eles querem, comunicam-no a quem eles querem, e pior que tudo, dão-nos a quem eles querem! Talvez se tivesse uma boa “connection”, mais conhecida como cunha, lá meio, a coisa se resolvesse facilmente.
Um abraço,