
Hoje decidi escrever sobre uma classe Professional que ultimamente tem sido demasiado atacada publicamente! Não, não é sobre os informáticos, também poderia ser porque nós somos sempre bombardeados com as asneiras dos outros e depois atiram-nos sempre a culpa para cima, mas desta vez não é sobre nós, é sobre os professores. Os que a cada passo vejo serem criticas, marginalizados e desvalorizados nos meios de comunicação.
Tenho o à-vontade para escrever porque como não o sou, não o fui e não devo vir a ser, posso escrever de forma isenta. Sim, porque mais isento que eu não existe (basta dar uma vista de olhos ao meu post sobre os quartos de final da Liga dos campeões para o provar, pode-se ver como eu consigo ser isento). Com isto ganho a simpatia da mulher do Gorby, da minha mulher linda (plagio do Gorby, que deve continuar a ser castigado pela asneira que deve ter armado, ou quem sabe, por ter arranjado maneira de nunca mais terem sido convidados para a piscina da senhora dos vasinhos de estimação que ele partiu ao rebolar pelas escadas abaixo!) e porque assim também expresso a minha opinião.
Se existe classe que este governo tem andado a atacar é sem dúvida a dos professores, embora na minha opinião de maneira completamente errada! Sei que era uma bandalheira em algumas situações, que haveria muitos pontos a melhorar, mas não é com certeza a forma mais correcta como eles foram, e estão a ser, tratados. Isto, porque como em todas as profissões existem bons e maus profissionais, e não é de bom-tom colocar tudo no mesmo saco.
A táctica utilizada foi a mais baixa possível, dizer mal descaradamente para poder ficar bem junto do povo, para os desacreditar e deixar o povo a pensar que eles não fazem nada, como que a justificar tudo o que depois quiseram fazer.
Não é com certeza banalizando a educação que a vamos melhorar, com o que fizeram fragilizaram ainda mais os professores, tiraram-lhe o respeito que tanto é necessário para manter uma aula. E depois claro, como querem que os professores mantenham uma boa aula se foi o próprio governo e a ministra que os banalizaram e desautorizaram!
Eis alguns temas que até a mim me deixam revoltado, imagino a eles.
Disseram que trabalhavam poucas horas e que tinham de passar a trabalhar mais tempo nas escolasClaro que existem professores que apenas trabalhavam 18 horas por semana, mas com certeza que esses eram uma minoria, e eu conheço alguns dessa minoria, no entanto, e felizmente, conheço muitos mais que não trabalhavam apenas as 22 horas do seu “horário”, trabalhavam e trabalham bem mais em casa a preparar as aulas para o dia seguinte. E se querem que eles fiquem na escola dêem-lhe condições para lá estarem, porque na grande parte das escolas nem uma sala de professores condigna tem, quanto mais locais para eles trabalharem.
Tinham Direito a faltar 2 dias por mês Em todos os professores que tive posso contar pelos dedos da mão os que os utilizavam, existe quem os utilizasse, mas não são os que se fala.
Avaliação dos professoresEste é o mais caótico ponto em toda a asneirada que esta ministra tem andado a fazer, senão vejamos algumas considerações:
- O modelo que querem implementar é quase uma cópia do modelo chileno (curiosamente país onde a senhora fez o seu mestrado), no entanto pretendem com esse modelo atingir objectivos como os da Finlândia!
- O professor é avaliado conforme o número de alunos que passam no final do ano, então se por acaso o professor tem uma turma onde os alunos não são uns génios é pior professor que um que tenha uma turma de génios, sim, porque todos sabemos que a maioria das escolas junta na mesma turma os melhores alunos.
- O professor é avaliado pelos pais dos alunos, este ponto então é para rir, hoje em dia os pais querem é que o filhinho passe, que tenha boas notas, mesmo não estudando nada, tudo o que ele diz é que é a verdade, e vão este pais avaliar um professor! Vai um pai que pode nem ter a 4ª classe avaliar um professor! Que conhecimentos têm os pais para avaliar a competência do professor? Ou vai apenas avaliar se ele é simpático e até dá boas notas ao filho?
Implementação do facilitismoSim, porque agora, o que este governo quer é melhorar a estatística da educação (Se existisse cognome para os governos, como existia para os Reis, este era sem dúvida o Governo da Estatística!), não quer melhorar a educação! Quem é professor sabe muito bem o quanto é pressionado para passar os meninos, eles até podem nem se esforçar para aprender, mas tem de se passar! Se ele tiver más notas no primeiro período - Aplicasse um método alternativo; Se ele faltar muito - retirasse o chumbo por faltas; Se mesmo assim tiver muitas negativas – O concelho de turma ou mesmo o Director Pedagógico, pode-as subir para positivas para ele passar! E aí de quem for exigente e tentar fazer com que eles se esforcem e puxem pela cabeça, os meninos não se podem cansar!
Têm muitas fériasMas quem é que faz os horários, corrige os exames, faz as actividades extra-curriculares, faz de tudo menos para aquilo que teve formação? Ou agora já se considera férias logo que deixa de haver aulas?
Poderia dar muitos mais exemplos mas acho que já vai extenso o texto.
Resumindo, acho que se deveria pensar a sério na educação, e não tentar deitar apenas as culpas para os professores, que existem e existiam muitas coisas que tinham de ser mudadas é verdade! Mas não é só culpa deles, é muito mais das diversas políticas implementadas para a educação, onde cada governo vem com a sua ideia (ou idiotice), onde não querem pensá-la a longa duração! Preferem pensar apenas em termos eleitoralista.

Por tudo isto Professores, aqueles que mesmo nestas adversidades e injustiças, ainda tenta fazer um bom trabalho, que se rege pela competência e vontade o meu sincero elogio!
Um abraço